sábado, 20 de janeiro de 2018

O desabafo de um jovem vampiro...

 
 
O garoto perdido 


Dormir o dia todo. Festejar a noite toda. Nunca ficar velho. Jamais morrer. É divertido ser um vampiro.

Isso, porém, não é tão verdade quanto eu gostaria de pensar. Como os garotos tão perdidos daquele filme oitentista estavam errados.

Ser um vampiro é muito mais que isso. Às vezes, se não sempre, a coisa dói muito fundo. Afinal de contas, eu e vários dos meus amigos deixamos muito para trás. No meu caso, deixei uma esposa que eu muito amava. Desejei levá-la comigo, mas muitas razões me levaram a desistir desse intento. Uma delas com certeza foi não desejar vê-la carregar o pesado fardo que a eternidade pode ser na maior parte do tempo. Outra razão foi que eu tive a certeza, ao vê-la depois de minha morte, sobre ela não desejar viver eternamente.

Ainda mais porque nós dois não deixamos algo pelo qual continuarmos vivos. Leia-se, nunca tive filhos. Embora nós muito quiséssemos. No entanto, acho que o destino, ou seja lá qual for a força que move esse mundo louco, talvez soubesse que meu destino iria muito além de 1934.

Sim, faz muito tempo que eu passei da existência mortal e limitada para um corpo imortal e jovem. E por muito tempo me perguntei qual era a razão para continuar a viver. Eu ainda me pergunto, na verdade. Quando, porém, eu penso em quantas vezes eu e meus amigos da Patrulha do Tango evitamos catástrofes, imagino que essa é a razão. Embora eu saiba que a maioria nunca saberá das nossas ações. E talvez seja até melhor assim, dado que os seres humanos tem grande tendência a não aceitar aquilo que difere demais do esperado.

Não que eu me importe, mas meus companheiros às vezes se importam demais. Eles não falam, mas eu sei que sentem. E sentem bem mais que muitos humanos normais. Imagino que muitos se perguntam como nós temos sentimentos quando nosso coração sequer funciona. Bem, os sentimentos independem do coração, até porque todo o sistema humano funciona de fato através do cérebro. Afinal, uma pessoa só é considerada morta de fato quando a medicina declara a chamada “morte cerebral”. Na verdade, eu não entendo muito de fisiologia humana até porque, de certo modo, a minha não é. Voltando à questão dos sentimentos tais como eles são, a verdade é que um dia eu e tantos outros já fomos humanos e de certa maneira, permanecemos sendo.

Afinal, trazemos das nossas vidas anteriores as boas e más lembranças. Os ensinamentos que nossa vivência nos deu. O aprendizado que tiramos das coisas ruins e boas que vivemos. No entanto, não são todos os vampiros que se mantém intactos em seu ser a despeito da longa vida. Muitos deles se perdem no poder que isso proporciona. Sentem como se tivessem o mundo nas mãos. Eu mesmo já me senti assim, mas a verdade é que o mundo não está na mão de quem quer que seja. E quem pensa assim acaba sofrendo a pior das quedas e muitas vezes sequer consegue se reerguer. Pior ainda é quando quem passa por isso se recusa a reconhecer seus erros e insiste neles. Eu sempre me pergunto o porquê de muitos agirem assim.

Tem pelo menos mil e um motivos para isso. Especialmente o fato de que uma parte da humanidade se acha a dona do planeta e pensa que pode tudo sem pensar no resto. Não é de se admirar que as expectativas para o futuro estejam longe de ser as melhores. E que alguns políticos têm de criar incontáveis políticas ambientais na tentativa de conter a poluição e desmatamentos que ocorrem planeta afora. Pois se isso não acontecer, quem sabe o que será do futuro da Terra e seus habitantes? Estou certo do pensamento de muitos sobre eu querer preservar mesmo é o alimento vindo dos humanos. Eles talvez estejam certos, porém, eu realmente me preocupo com o planeta.

Porque eu gosto das flores em todas as suas formas e aromas. Gosto de ver como as crianças brincam com seus animais de estimação. Adoro respirar o ar puro de uma floresta mesmo eu não precisando de oxigênio para viver. Aprecio o azul do céu mesmo não podendo tocar o dia. Eu só queria um dia para poder apreciar isso em toda a plenitude. Sei, porém, que esse dia nunca virá. E eu confesso: sofro com isso mais do que gostaria de admitir.

Meu nome é Ernesto Ponzio* e eu sou apenas um garoto perdido no meio de uma humanidade ainda mais perdida.



*Conheçam-no melhor:  https://g.co/kgs/GE3rSS

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

As histórias longas (algumas curtas) do universo dos Vampiros Portenhos:


Novamente, oi meus leitores amados! Desculpem se eu desapareci desde a semana passada e que o post de ontem não saiu, mas a dama teimosa aqui também tem seus probleminhas de cansaço e uma vida fora dos escritos, especialmente um pai cego que precisa de mim sempre que tem de sair e outras coisas que faço em casa.
Terminada a explicação, me permitam apresentar a vocês as histórias que vão povoar esse universo. Algumas porque ainda tem muita coisa guardada cá na minha mente esperando para ser colocada no papel....

(Créditos para a maravilhosa Stéfani Rilli pela imagem.)

Um caminho para o destino (Un camino hacía el destino) – Uma história sobre amar verdadeiramente, mudar, crescer, conhecer, se tornar alguém melhor, aceitar que o mundo muda e o tempo passa.
Emiliano Azurra, um vampiro de 125 anos, tornou-se assim graças a um Ancestral às portas da morte. Transformado em algo que nem ele mesmo entende por completo, viu-se acolhido por uma bruxa, Felicia Morresi, que inicialmente o odiou por suas más ações como um grande latifundiário e líder político nos fins do século dezenove na Argentina. Por ela salvo da insanidade total causada pelo frenesi do poder, viu-se com uma escolha: ou mudava ou morria.
O passar do tempo, porém, o fez conviver intensamente com as maiores transformações que o mundo passou e também com a pessoa sensível e bondosa que Felicia se revela em determinadas situações. Além de fazer nascer entre ambos um forte sentimento cuja força muitas vezes é desdenhada por muitos. Que despertará todas as desconfianças possíveis e fará vir à tona todos os sentimentos reprimidos em relação às ações da bruxa, conhecida por não poupar esforços em punir quem merece, além de jamais desperdiçar oportunidades de ter aliados poderosos, cujas vantagens ela não hesita em usar. E os inimigos não hesitarão em usar de todos os recursos para impedir que esse romance floresça.
Os dois, porém, estão prontos para enfrentar tudo e todos em nome de trilhar o seu caminho para o destino: o amor.



A Senhora Invernal (La Dama Fría) - Victoria nasceu de um relacionamento rápido, porém avassalador, entre uma rica jovem e um misterioso estrangeiro. Seu nascimento, ainda, foi cercado de um enorme mistério quanto à sua verdadeira natureza. Em razão do moralismo vigente, pois sua chegada poderia arruinar a família Tardello, foi rejeitada pela avó materna e entregue a uma imigrante italiana, que a criou com todo o amor junto do capataz da fazenda onde veio a morar com a menina não muito depois.
Nem mesmo todo o amor de sua família adotiva, porém, a impediu de, anos depois, seguir tortuosos caminhos, especialmente quando ela descobre, aos dezesseis anos, possuir habilidades especiais. Que lhe causarão grandes problemas.
Em especial quando ela descobrir que há gente demais interessada nela. Nem todas com boas intenções e muitas dispostas a matá-la por não querer que ela assuma seu real papel nesse mundo.
Ela, porém, tem apenas uma intenção: sobreviver.
Depois, uma missão: impedir uma catástrofe capaz de destruir o mundo tal como conhecemos.



Los Próceres del Apocalipse – Em janeiro de 1871, casos de uma misteriosa doença começam a atingir a capital argentina Buenos Aires e em apenas quatro meses, 8% da população da capital morreu. E nem mesmo os melhores médicos sabem o que causou o terrível surto de mortes.
O que ninguém sabe, porém, é o que aconteceu naqueles 120 agoniantes dias: enormes revoadas de pássaros, gigantescos enxames de insetos, gritos ecoando pelas madrugadas frias, escuras e nevoentas da capital. O mais horrendo e que todos viram ao vivo e a cores: cadáveres empilhados pelas ruas e sendo desovados em um novo cemitério, construído no famoso bairro da Chacarita.
Entretanto, dos 8% de mortos pela misteriosa doença, 6% deles retornaram, em grandes grupos, como mortos-vivos, sob ordens de uma misteriosa, diabólica e vingativa força que em algum lugar do passado foram homens comuns que ajudaram a construir o país tal como ele é agora. Mas pagando um alto preço por suas escolhas: o desterro e a morte.
Cada um têm seus motivos. Todos têm sede de sangue. Nenhum deles, piedade.
Os Próceres querem vingança!


A Alabarda e a Rosa Vol. 1 - Concetta Parisi é uma garota normal de Milão que recém completou dezoito anos e ao mesmo tempo, perdeu a mãe, Nora, vítima de um câncer de mama.
Desde os seis anos estudou em um colégio de freiras, mas nunca gostou da escola, onde a mãe só a colocou em razão de ser o mais próximo do hospital onde ela se tratava e trabalhava como enfermeira padrão. Com o falecimento de Nora, a jovem acorda com a madrinha, Loretta, de estudar em uma escola o mais longe possível das muitas lembranças ruins que guarda da Escola Caravaggio.
Acaba indo parar na bela e medieval cidade de Oristano, na ilha da Sardenha, onde conhece Dona Andie e sua casa pensão onde acolhe jovens moças estudantes. Além de travar uma amizade quase imediata com Alice, a loiríssima sobrinha da proprietária e Amanita, uma moça vinda com os pais de Ruanda na época do famoso genocídio de 1994, além dos meninos Antonio e Marcello, namorados que a consideram como uma nova amiga. Dias depois, começa a fazer amizade com Eva Luna, uma jovem meio-espanhola que alega ser uma wicca. Nesse meio tempo, começa uma conflituosa aproximação com Bingo Kowalski, um musculoso garoto croata de dois metros.
Concetta, porém, não imagina que, após uma cinematográfica noite onde sente uma paixonite imediata por um ator dos anos setenta, uma antiga e temida lenda da cidade sardenha, o Demônio de Oristano, colocará à prova suas muitas crenças e especialmente, sua vida. Ao mesmo tempo, no entanto, ela saberá o verdadeiro poder da amizade e da determinação.



Os que chegam com a noite: Vol 1. – Lucía Elena Cárdenas pode dizer que é uma sobrevivente.
Aos nove anos, sobreviveu a um trágico incêndio em um cinema em que o pai de sua melhor amiga Marujita morreu salvando o máximo de pessoas que podia.
Traumatizada pelos eventos daquela fatídica noite, os pais se mudaram com ela para os Estados Unidos, onde, anos depois, a agora adolescente “Lucy”, como passou a ser chamada, sofreu outra tragédia: a perda do pai vítima de uma bala perdida durante um tiroteio. A então moça, porém, descobre que o fato não foi exatamente esse e não vai descansar até ver a verdade revelada. Ela, porém, sabe que isso não será fácil, pois ser uma moça negra e imigrante latina não torna sua vida mais fácil. Mas ao descobrir que possui um dom que pode ajudá-la, resolve usá-lo para trazer justiça ao querido pai, além de ajudar outros, secretamente, a obterem a justiça que não raramente as autoridades negam às vítimas.
Anos depois, Lucy, agora doutoranda em História por Princeton, é conhecida na internet como “Ave de Rapina”, mas ninguém conhece sua real identidade, exceto seu irmão Lucas, que a ajuda a manter o segredo. No entanto, ao vê-lo ameaçado por um grupo de extremistas de supremacia branca que estão dispostos a qualquer coisa para descobrir, ela tem de voltar à Argentina e enfrentar o trauma que deixou no passado, além de descobrir quem é o misterioso homem que salvou a ela e sua melhor amiga de morrerem quando o pai da agora policial Maruja Cordoba, uma determinada e rígida oficial da Polícia Federal e da Metropolitana de Buenos Aires, não mais aguentou.
Inesperadamente, Lucía se vê em uma complicada teia de eventos em que vai precisar usar de toda a sua determinação e inteligência para escapar viva. 



Plantão de Polícia (Contos) – Uma jornada ao centro da rotina de um departamento da Polícia Federal Argentina, comandada pelo chefe da Federal da Província de Buenos Aires, Antonino Porcel. Um homem marcado pela orfandade precoce, um dom sobrenatural recebido na infância, o preconceito por não parecer “adequado” para ser policial e suas opiniões sinceras, além de sua idade que já lhe daria a aposentadoria, ideia que ele veementemente recusa. Ainda, Porcel está cercado de inusitados colegas de trabalho: um vampiro amargurado que esconde atrás de seu jeito de “policía malo” um passado jamais superado e questões pendentes, um Caçador que se oculta atrás de um par de óculos e um terno comportado, um legista sugador de sangue e comedor de cérebros e uma Caçadora que desde muito cedo lutou para descobrir os responsáveis pela morte de seu pai e outras 45 pessoas em um incêndio.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Los Cuentos de Hadas Porteños:

Pedindo desde já perdão pela ausência de duas semanas, mas estive planejando novas postagens aqui e no Rillismo, onde colaboro e também houve a semana do Natal e do Ano Novo, ambos passados com minha família.

A partir de agora, porém, pelo menos três vezes na semana irei postar novidades. Personagens, contos, trechos de romances extensos, trilha sonora, alguma resenha ou review de filme (não sei se vai acontecer porque isso eu deixo com o blog onde colaboro) e claro, falar dos personagens que habitam esse universo. Cada um deles, a seu modo, protagonista.


Hoje, no entanto, venho falar dos Contos de Fadas Portenhos, uma releitura vampiresca, monstruosa e sangrenta dos tão famosos contos de fadas da literatura, sejam as versões orais, de Perrault ou Irmãos Grimm. Ou até mesmo as releituras modernas em romances New Adult...

La Cenicienta (Cinderela) – Trinidad Rosa, apelido Rosita, é uma bela jovem órfã de mãe e com o pai desaparecido. Em troca de manter o padrinho morando com ela, a jovem faz todas as tarefas domésticas para ela e suas duas filhas como um modo de pagar a estadia, pois o homem não tem mais onde cair morto depois de perder tudo graças a um investimento mal feito. Heidi, uma belíssima loira, sempre implica com ela e a outra, Amélie, uma mulher grande e taciturna de olhos azul escuros, mantem-se educadamente distante por motivos desconhecidos. A jovem não gosta nada dessa situação e ansiosamente espera pelos seus 21 anos, quando poderá ter controle da própria herança, já que apenas ela pode mexer, pois Gerardo Nieves deixou todo o dinheiro para a filha. Ela, porém, encontra uma carta endereçada à sua madrasta e descobre uma horrenda trama. Rosita a todo o custo quer fazer justiça e trazer a verdade à tona ao mesmo tempo em que uma ajuda tanguera do além-túmulo chega para dar um empurrão na situação.

Blancanieves y los siete vampiros (Branca de Neve e os sete anões) – A grande beleza da jovem Lucía chama a atenção de todos e causa imensa inveja em sua madrasta, desejosa de herdar a grande fortuna deixada pelo falecido pai da jovem. Levada por sua ganância e ódio, a mulher manda assassinar a enteada com um engenhoso plano que poderia ter dado certo. Se, na ocasião da tentativa de homicídio, a jovem não tivesse revelado, sem querer, um segredo que faz o homem fugir e ser obrigado a extrair o coração de um cadáver para não voltar de mãos vazias. Lucía, ao perceber o perigo que corre, resolve procurar respostas, sem imaginar que, ao esconder-se em um prédio abandonado, irá encontrar um inusitado grupo que lhe dará bem mais que isso.

La bella y la bestia (A Bela e a Fera) – Lígia, uma jovem estudante de medicina, procura desesperadamente um amigo desaparecido que lhe escreveu uma estranha mensagem de texto no celular. Encontrando o local indicado, ela pula o muro de uma mansão aparentemente desabitada. Ela, porém, descobre que a enorme casa é habitada por uma criatura cujo prenome ela acha um tanto familiar embora sua sinistra aparência não lhe transmita nada além de pavor. Ele, injuriado pela invasão, resolve que ela lhe fará companhia por um longo tempo. Ela aceita, temendo por sua vida e pela do amigo, que conseguiu fugir com sua ajuda. Ambos não imaginam, no entanto, que tudo pode acontecer quando duas pessoas tão diferentes ocupam o mesmo espaço.

La Bella Durmiente (A Bela Adormecida) – Um misterioso caso de coma intriga os médicos há pelo menos seis décadas: a paciente não envelheceu um único dia desde sua chegada ao hospital. Um vampiro, “palhaço voluntário” na parte pediátrica, encanta-se por ela sem saber que terá de enfrentar um duro confronto se quiser tê-la para sempre.

A torre acima da nuvem (Rapunzel) - O vampiro Ernesto Ponzio, dotado da aparência de um rapaz de vinte anos, é louco por skate, rock, mangás, desenhos animados, games, All Stars e garotas bonitas com pescoços expostos. (Não necessariamente nessa ordem.) Ao ouvir sobre várias meninas desaparecidas ao longo dos anos da ditadura militar argentina, ele se interessa pela história, em especial por um dos nomes, a filha jamais encontrada de uma de suas vizinhas, sem imaginar que viverá uma aventura digna de RPG.

La Caperucita Roja (Chapeuzinho Vermelho) – A jovem Marian, ao ir visitar a avó em um asilo, onde ela passou a viver para não se sentir sozinha, em uma tarde de inverno, acaba seguindo a indicação de um estranho mendigo, demorando um bocado para chegar ao seu destino. Ela não imagina, porém, que o caminho é demorado demais e isso acaba custando a vida da avó que ela tanto ama. Em luto e sofrendo pela morte da “abuelita”, ela quer justiça, mas por falta de evidências, ninguém a ouve. Mas ela é alguém capaz de ir até as últimas consequências pelo que considera certo.

Juan y María (João e Maria) – Sequestradas por um grupo que vende carne humana para ricos consumirem como uma iguaria cara e única, os irmãos Juan e María conseguem fugir após um deles fazer os raptores dormirem com um sonífero. No entanto, ao descobrirem que seu sequestro foi armado pelo tio desejoso de herdar a fortuna a qual os garotos têm direito, os dois, furiosos e com desejo de vingança, invocam uma ajuda do mundo dos mortos. No entanto, o preço a pagar por isso pode ser alto demais.

A Joia de Aldebaran (Aladin e a Lâmpada Maravilhosa) – Um simples caso de segurança particular converte-se em um enorme problema quando a filha de um poderoso homem consegue driblar a segurança e fugir do palácio onde vive. Determinada a não seguir os protocolos da família, ela acaba indo parar em um acampamento abandonado no deserto sem saber que a noite lhe reserva uma surpresa inesperada.

A casa da colina (João e o Pé de Feijão) – Membro de uma gangue de ladrões de joias, Juan Alvarez é incumbido de roubar uma famosa joia cuja localização é em uma enorme casa localizada em um local afastado de qualquer ponto conhecido. O local, cercado de sinistras histórias envolvendo o sobrenatural, não faz o ladrão temer. Porém, o que irá encontrar lá pode ser muito mais do que ele teria desejado.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Tetralogia dos Espantos - La tercera noche


La tercera noche de los espantos

 (Leiam sobre a primeira e a segunda noite.)

Rebeca olhava novamente a carta chegada às suas mãos pela manhã. Uma convocação para depor. De novo isso?

Já não tinha sofrido demais com aquela história há seis anos? A perda da então melhor amiga fora um duro golpe. Meses chorando pela morte de Ana María. Para piorar, a polícia não esclareceu o caso. Provavelmente nem lhes interessava, já que a vítima era uma mulher, estava fora de casa à noite e ainda, descendia de índios. Muitas pessoas, sem realmente saber a verdade, acabaram dizendo coisas terríveis sobre ela. Boatos horrendos causaram a mudança da família para um local desconhecido.

Tudo apenas porque ela não tinha seguido seu conselho de não ir aquele local naquela hora. Ela, porém, não sabia quem iria encontrar-se com Ana, pois ela nunca lhe dissera quem era o namorado, mas sabia o motivo: sua amiga queria terminar a relação por ter se apaixonado por alguém melhor.

A pobre moça, no entanto, não teve a boa sorte de continuar vivendo para ser feliz. Rebeca, por sua vez, lidara com a dor daquela perda apenas com a ajuda de Deus, sua mãe e Teresa, sua melhor amiga desde então embora ela nunca realmente tivesse substituído Ana María por completo em seu coração. O rapaz por quem Ana se apaixonara também a consolara, mas logo sumira sem dar explicações. Porém, a florista soube, algum tempo depois, que o moço fixara residência na província de Santa Fé e trabalhava como vendedor de produtos locais.

Por mais que os comentários do caso à época não tivessem sido os melhores sobre Ana, Doña Jazmín sempre afirmava que a menina nada fizera de errado, mas os outros preferiram acreditar no contrário. Sempre era assim: a mulher tinha culpa de tudo, até mesmo de ser brutalmente morta. Por essas e outras, ela preferia manter distância de alguns vizinhos. Rebeca se dava bem com alguns. Para outros, ela sequer olhava.

A florista sairia antes do almoço. O apetite sumiu após ler aquela correspondência. Achava melhor ir de uma vez por todas. Torcia para que a reabertura do caso afinal trouxesse a verdade à tona. Rebeca não sabia, porém, como seu depoimento seria recebido. Ao sair do cortiço onde vivia, deparou-se com um carro. Ignorou-o, indo em direção à parada do bonde, pois o trajeto até a delegacia levava pelo menos meia hora. Percebeu-se sendo seguida. Apressou o passo ao notá-lo cada vez próximo. De repente, esbarrou fortemente com um homem, que a ajudou a não cair...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Tetralogia dos Espantos - La segunda noche


La segunda noche de los espantos

(Leia sobre a primeira noite.)

A missa de sétimo dia do falecimento de Agustín Magaldi tinha sido no fim da tarde. Pela primeira vez desde o enterro, Rebeca tinha saído de casa, acompanhada por sua melhor amiga Teresa.

– Becca,... se sente melhor? – perguntou a acompanhante como se o próprio ato de falar em um momento daqueles fosse crime.

– Obrigada por vir comigo, Teresa. Eu, porém, não sei se vou conseguir superar aquilo – respondeu a florista tristemente.

– Por favor, nunca mais mencione isso de novo – respondeu Teresa como se a menção aquele assunto fosse capaz de atrair todos os males do mundo sobre elas. Era a única sabedora do real motivo do abalo de Rebeca. A razão pela qual sua amiga passara aqueles cinco dias trancada em casa. Mal comia e só dormia após espalhar galhos de arruda, e da outra erva, que ambas descobriram se chamar “mata-lobos”, pelas janelas e portas. Sequer tinha ido trabalhar. Loyola lhe deu alguns dias de licença, pois podia ver a terrível tristeza dela.

“Qual seria a extensão daquela verdade?”, pensou Teresa enquanto lembrava-se do desaparecimento de Felipe, o Bardo e sua gangue, ocorrido na sexta passada, na noite do dia da despedida de Magaldi. Ninguém no bairro soube do paradeiro deles durante mais de 24 horas. Os companheiros de gangue, um total de sete, porém, apareceram gravemente feridos em uma vala próxima ao aterro de lixo dois dias após. Todos com princípio de inanição. Com uma feia marca no pescoço causada por mordida de origem desconhecida. O que ocorria aos montes sempre quando algum famoso do tango passava deste para o outro mundo. Ou voltavam como mortos-vivos sedentos por sangue, pensou a modista aos arrepios.

Teresa recordava–se de que, antes da La Voz Sentimental, outros já tinham ido. Funerais consideravelmente cheios, mas o funeral argentino de Carlos Gardel lotou todas as ruas existentes e até inexistentes da capital. Inúmeras histórias de alguns presentes que permaneceram no cemitério após anoitecer. Algumas dessas eram escabrosas, dizendo o mínimo. A moça agora acreditava em todas elas, depois daquela noite em que seus olhos pareciam ter enxergado uma parte do próprio inferno em pessoa. O pior: ela agora tinha certeza ter visto algo há três anos, quando voltava da loja de Doña Mariquita. Um alguém a seguiu a maior parte do trajeto. Pascual Contursi, falecido alguns anos antes, que se encontrava naquela noite anotando coisas em uma prancheta usando uma caneta tinteiro dando sorrisinhos marotos para ela, que solenemente os ignorou.

O veículo enfim chegara. Ambas subiram. Rebeca permanecia absurdamente silenciosa, como se falar pesasse na garganta. Teresa a entendia, pois sentia-se do mesmo modo. De repente, alguém subiu na quarta parada após a qual as amigas haviam pegado o transporte. Fecharam os olhos de pavor ao ver quem era, mesmo ele usando um chapéu para cobrir as feições. Cumprimentou-as:

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Notas do Professor Elijah Colman - Vampiros (Parte 1)


O que é um vampiro? A definição básica, ou pelo menos a mais conhecida por todos, é de um ser que sai de sua tumba à noite para sugar o sangue das vítimas.

O conceito, porém, vai muito mais longe do que isso, se nós observarmos as lendas que correm o mundo. Devo dizer, os vampiros não possuem uma origem em comum, já que lendas de criaturas que se alimentam de sangue existem em todo o mundo desde tempos muito remotos.

Entretanto, os vampiros atuais não se parecem nada com o da grande maioria das lendas. Vejamos alguns aspectos:

- Eles facilmente se misturam aos humanos;

- Eles podem ou não usar ataúdes para dormir;

- Não andam pelo dia embora Bram Stoker tenha dito que Drácula, seu mais famoso personagem, podia fazê-lo. Existem controvérsias quanto a isso;

- Suas presas se camuflam entre os dentes normais para evitar descobertas indevidas por pessoas impressionáveis;

- A maior parte das fraquezas pode ser eliminada com prolongado e pesado treinamento. Isso, porém, vai de vampiro para vampiro. Nem todos conseguem eliminar completamente a repelência pelo alho e arruda, atualmente os melhores métodos para detectar vampiros. Contudo, nunca compreendi de fato o motivo de ambos serem tão eficientes em pelo menos 90% dos casos;

- Existem pelo menos doze tipos diferentes de vampiros, mas suas histórias detalhadas precisariam de muitas páginas para serem contadas (pretendo fazê-las dentro em breve):

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Tetralogia dos Espantos - La primera noche





                              La primera noche de los espantos


A manhã estava fria, um pouco menos do que geralmente ocorria no inverno argentino.

Faltavam dez minutos para as sete da manhã do dia oito de setembro de 1938.

Ela recém havia chegado à floricultura, localizada em um excelente ponto da cidade, o bairro Belgrano.

Como de costume, a florista de recém completos 23 anos, pôs sua bolsa no armário da sala dos fundos antes de ligar o rádio. Ela sabia que Loyola, seu amigo de longa data e patrão, gostava de ouvir as notícias e as músicas enquanto trabalhava. Ele sempre chegava perto das sete e meia, pois a loja abria às oito em ponto, e não demorava a lhe dar todas as instruções antes da chegada de prováveis clientes embora a moça já as soubesse de cor. Além de ser quase sempre ela a cuidar das plantas da estufa, pois Rebeca parecia ter talento natural para tal prática.

Não demorou a trocar seu casaco pelo avental, um lenço para o cabelo e luvas de trabalho, pois lidava com terra e afins. Já pronta para começar o dia, tratou de colocar alguns vasos em exposição na entrada da loja. Enquanto trabalhava, orava para Agustín Magaldi se recuperar da cirurgia feita 21 dias antes. Ela sabia, porém, pelas notícias do plantão radiofônico, da situação dele ser muito grave. Um risco de vida muito alto. Suspirou, ao fim. Não era como se algum dia um homem famoso e elegante como ele olhasse para alguém como ela. Nunca entendeu porque seu coração havia lhe aprontado tal broma. Ela se lembrava da única vez em que o tinha visto de perto...